Susceptibilidade do HCV em renais crônicos em clínicas de hemodiálise no Rio de Janeiro.

Edital/Chamamento: 
Termo de Execução Descentralizada 04/2015
Número do Projeto: 
TED 04/2015

Pesquisador(es)

Pesquisador(es) Responsável(eis): 
Lia Laura Lewis-Ximenez de Souza Rodrigues

Instituição

Instituição: 
Ambulatório de Hepatites Virais/Laboratório de Hepatites Virais, Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz.
Período de Vigência: 
2016-2017
Situação: 
Concluída

Introdução e Justificativa

A infecção pelo vírus da hepatite C (HCV) é um problema mundial, diagnosticado comumente na fase crônica e sendo um dos principais causadores de doença hepática crônica e carcinoma hepatocelular. A prevalência no Brasil é de cerca de 1,4%; e em unidades de hemodiálise (HD), onde há maior risco de exposição, a prevalência não é uniforme nos estudos, podendo variar entre 4,2 e 83,9%. Apesar das ações continuadas para implementar medidas universais de cuidados em unidades de HD, surtos de hepatite C continuam ocorrendo

Objetivos

Avaliar a epidemiologia da infecção pelo HCV em portadores de insuficiência renal crônica (IRC) em HD.

Materiais e Método

Foi realizado um estudo observacional retrospectivo que avaliou os resultados sorológicos e moleculares para HCV de pacientes portadores de IRC em HD obtidos durante a avaliação de quatro surtos de Hepatite C, entre 2013 a 2016, em clínicas distintas. Para a confirmação do diagnóstico de infecção pelo HCV e avaliação da agressão hepática, foram realizados os seguintes testes: anticorpo anti-HCV, HCV RNA, através da técnica Real-Time PCR quantitativo e avaliação de aminotransferases. A análise estatística foi realizada através do programa GraphPad.

Resultados - Parciais ou Finais

Foram avaliados 557 pacientes renais crônicos em HD. O anti-HCV foi identificado em 82 pacientes (14,7%), dos quais 65 (70%) apresentavam PCR para HCV-RNA positivo, o que denota infecção presente. Dentre os pacientes com infecção confirmada por teste molecular, 26 (32%) apresentavam soroconversão recente, associada a aumento de aminotransferases; e foram diagnosticados como portadores de infecção aguda. Os demais 39 (68%) pacientes já apresentavam sorologia para hepatite C positiva há mais de seis meses e foram considerados como portadores de hepatite C crônica. A prevalência de infecção pelo HCV variou entre 2 e 25% nas diferentes clínicas avaliadas. Dentre estes, a proporção de indivíduos com infecção aguda oscilou entre 18 e 58%, observando-se uma relação entre a prevalência de infecção crônica e a frequência de casos agudos.
Conclusões: 
Concluímos que a frequência de infecção pelo HCV em indivíduos em IRC é elevada, e na vigência de surtos os casos agudos corresponderam a uma elevada proporção na nossa amostra, perfazendo cerca de 32% de novos casos. São necessárias medidas que possibilitem o controle da infecção e a detecção e tratamento precoces de forma a interromper a cadeia de transmissão deste agravo.
Palavras-Chave: 
Hepatite C. Renal crônico. Hemodiálise. Hepatite C aguda.

Divulgação e/ou Publicações

LEWIS-XIMENEZ, Lia Laura et al. Anais do 11º Congresso de HIV/Aids; 4º CONGRESSO DE HEPATITES VIRAIS: PREVENÇÃO COMBINADA: MULTIPLICANDO ESCOLHAS, 26 a 29 de setembro de 2017, Curitiba, PR, MINISTÉRIO DA SAÚDE, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, p. 191. (Apresentação de trabalho).

Aplicabilidade para o SUS

Demonstrar a elevada incidência de hepatite C em unidades de hemodiálise no Rio de Janeiro e a importância de medidas universais no controle de infecção.